Varejo antecipa e estica Black Friday para tentar salvar ano complicado Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit. Quis, neque soluta

Postado em 18 de Novembro de 2018

Por: Folhapress 

Black Friday
Black FridayFoto: Rafel Furtado / Folha de PErnambuco

As apostas dos varejistas na Black Friday, data importada dos EUAe que acontece pelo oitavo ano consecutivo no Brasil, são altas. Depois de paralisação dos caminhoneiros, Copa do Mundo e eleições, eventos que travaram as vendas, o comércio quer recuperar o tempo perdido.

Pesquisa da SPC Brasil mostra que as pessoas estão mais dispostas a abrir a carteira neste ano. Seis em cada dez consumidores (58%) vão fazer compras durante a data de promoções, 18 pontos percentuais a mais que 2017.

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Além de mais gente comprando, o gasto médio deve ser um pouco maior: R$ 1.268,63 no total de compras -no ano passado, esse valor era de R$ 1.047. Outro levantamento, feito pela Ebit/Nielsen, afirma que o gasto médio com compras deve subir 8%.

"A Black Friday pode dar uma esperança [para 2018]. Costumamos dizer que o Dia da Criança é o ensaio para o Natal, mas neste ano ele aconteceu bem no meio da eleição, e as vendas foram ruins", diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). 

Para ela, momentos posteriores aos pleitos tendem a deixar as pessoas mais esperançosas e, consequentemente, mais dispostas a gastar, independentemente de quem seja eleito. "A economia pode começar a destravar a partir de novembro, e a Black Friday pode ser uma boa data", afirma.

Pesquisa da Ebit/Nielsen projeta expansão de 15% no faturamento do comércio eletrônico, para R$ 2,43 bilhões. Com o consumidor mais propenso a gastar, a Black Friday começa mais cedo em alguns estabelecimentos. Varejistas como o hipermercado Extra e as Lojas Americanas vão abrir as portas na quinta-feira (22) à noite.

Casas Bahia e o Pontofrio foram mais longe e esticaram o apelo da Black Friday para todo o mês, com ofertas que mudam diariamente.

As promoções no Extra começam partir desta segunda-feira (19), em itens selecionados. A rede oferece preços mais atrativos também no aplicativo. Na véspera da Black Friday, a rede abrirá às 20h com toda a loja em promoção. "Apesar da antecipação, a rede está focada nos descontos da sexta-feira", afirma Christiane Cruz, diretora de marketing do Extra. O diretor-executivo da rede, Alberto Calvo, afirma que a data registra a maior quantidade de itens vendidos em um dia. Para ter ideia, no ano passado foram vendidos cerca de 800 mil potes de plásticos e 220 mil cuecas e calcinhas. A expectativa é que o crescimento seja de dois dígitos em relação a 2017.

Nas Lojas Americanas, 33% dos estabelecimentos serão abertos na meia-noite de quinta e também haverá extensão do horário de funcionamento, de acordo com Carlos Padilha, diretor financeiro e de relações com investidores.

A estratégia de antecipar promoções mais agressivas tem dado certo na The Beauty Box, multimarca do Grupo Boticário. De acordo com Guilherme Reichmann, diretor-geral da marca, em uma das "flash promos", as vendas no site quintuplicaram. Nas lojas, a alta foi de 20%.

A rede também passou a oferecer retirada na loja dos produtos comprados pelo comércio eletrônico. "Durante as promoções, teve loja que registrou o dobro de consumidores, por causa dos que foram buscar pacotes", diz. Nas ofertas, que duram algumas horas, itens de R$ 30 foram vendidos por R$ 4.

De acordo com Reichmann, a ideia foi atrair novos clientes para a marca. "É um momento em que consumidores compram em loja nova." A expectativa, diz, é que os novos consumidores retornem para as compras de Natal.

Segundo pesquisa da SPC, 30% dos consumidores farão as compras de Natal já na sexta. A empolgação do consumidor, no entanto, também é motivo para preocupação, num cenário de desemprego ainda elevado.

Para Marcela, do SPC, os dado mais alarmantes na pesquisa da entidade são os que mostram a falta de planejamento financeiro. Entre os entrevistados que vão fazer compras, 25% afirmam que costumam gastar mais do que podem e 21% têm alguma conta atrasada -desses, 69% estão com o nome sujo.

"A ideia de que não se pode perder a oportunidade é o grande vilão", afirma o professor de gestão financeira da FGV, Ricardo Teixeira. Para ele, o país ainda vive uma retomada, e não é hora de fazer compras sem pensar. 

Compras devem ser feitas somente quando se tem segurança absoluta de que haverá dinheiro para pagá-las, afirma. E servidores não devem contar 100% com o 13º, dada a crise dos estados.

Marcela, da SPC, concorda. "Muita gente compra a prazo pela empolgação. E aquilo que era muito barato pode ficar mais caro do que o valor cheio, se o consumidor não conseguir pagar a fatura do cartão."

 

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