Publicada em 02/09/2018 às 20h58.
Entidades de caminheiros se posicionam contra nova paralisação
CNTA e Abcam afirmam que não apoiam nova greve da categoria e dizem que documento viralizado é de entidade que não representa caminhoneiros

Por Luiz Felipe Barbiéri e Gabriela Caesar, G1

 

Representantes de entidades de caminhoneiros disseram no domingo (2) que negociam com o governo após a alta do preço do diesel anunciada pela Petrobras.

O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, diz que não há chance de paralisação entre os associados na entidade.

Em nota, a Associação Brasileira dos Caminheiros (Abcam) também afirma que não apoia uma eventual nova paralisação e acrescenta que não há indicativo de nova greve por parte dos caminhoneiros. Juntas, as associações reúnem 1,5 milhão de caminhoneiros.

Em nota, o governo federal, por meio da Casa Civil, diz que está cumprindo o combinado com os caminhoneiros e que continua dialogando com a categoria. Segundo o texto da Casa Civil, as ameaças de paralisação não são dos líderes que comandaram a greve de maio deste ano.

Tanto a CNTA quanto a Abcam reiteram que desconhecem a entidade que divulgou uma nota neste sábado (1º). No documento, a União dos Caminhoneiros do Brasil (UDC) faz críticas à ANTT e anuncia uma paralisação em até 10 dias, contados a partir de 30 de agosto.

Segundo Diumar Bueno, da CNTA, não há chance de paralisação entre os associados. Ele afirma ainda que nenhuma entidade sindical que coordenou e participou do movimento anterior, em maio deste ano, está se organizando para uma paralisação.

"Nós não podemos a qualquer situação tentar promover movimento nacional de paralisação de caminhoneiros. Isso vai desvalorizar, desmerecer, perder a credibilidade para a categoria que teve o reconhecimento nacional da sua importância", afirmou.

"Não conheço essa entidade [UDC]. Entidade que não é oficialmente reconhecida sindicalmente há milhões. Não tem validade, não tem poder legal nem de responder nem de representar a categoria. E, se fica nessa condição de a gente dar ouvido, surge muito, como movimento para fazer palanque", diz o presidente da CNTA, Diumar Bueno.

O presidente da CNTA acrescenta ainda que há uma apreensão dos caminhoneiros quanto às mudanças na tabela do frete. Neste sábado, a ANTT divulgou uma nota na qual afirma que atualizará os preços da tabela de frete.

A Abcam informou ainda neste domingo (2) que pediu uma reunião com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, para discutir o preço do óleo diesel. Segundo a associação, o pedido de reunião foi feito na sexta-feira (31). De acordo com a Abcam, o encontro com o governo foi pedido porque, na semana passada, a Petrobras anunciou reajuste de 13% no litro do combustível.

Em nota, a Abcam diz que “A entidade entende que, independente do aumento do preço internacional, o governo deve cumprir a medida provisória nº 838/2018 e manter a subvenção de R$ 0,46 do valor do diesel até o final do ano. A Abcam se mantém vigilante no cumprimento do acordo realizado com o governo federal. A associação, que sempre acreditou no diálogo, fará o possível para evitar uma nova paralisação”.

 

Redes sociais

 

Tem circulado nas redes sociais a informação de que a União dos Caminhoneiros do Brasil (UDC - Brasil) estaria programando uma paralisação para os próximos dias. O texto não é assinado. Tampouco há telefone para contato ou site no documento.

Também viralizou na internet uma suposta nota assinada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na qual diz serem pequenas as chances de haver paralisação. Ao G1, a assessoria de imprensa da PRF nega que tenha emitido um posicionamento oficial e afirma que investiga se o documento é um fragmento de alguma análise interna.

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