Publicada em 30/07/2018 às 22h24.
O mercado de pilotos entrou em ebulição: confira as principais novidades
Dos 20 pilotos do grid, apenas cinco têm contrato para a temporada do ano que vem

Por Livio Oricchio, Zurique, Suíça

 

Nos dias do GP da Hungria, disputado no último fim de semana, como não poderia deixar de ser por conta do momento da competição, com apenas cinco pilotos tcontrato assinado para a temporada de 2019, o repórter do GloboEsporte.com procurou ouvir profissionais da F1 sobre o mercado de pilotos.

Sabe qual foi a expressão mais comum entre eles?

- Está difícil de entender, está tudo muito amarrado.

Depois contaram o que sabem. Duas peças-chave comandam o espetáculo: Daniel Ricciardo e Fernando Alonso. Muito de como as negociações vão se desenvolver depende da decisão dos dois pilotos. Representam a chamada bola da vez.

Vamos colocar os elementos sobre a mesa e raciocinarmos juntos a respeito dos possíveis arranjos entre equipes e pilotos, tudo em dois capítulos? No desta segunda-feira, Mercedes, Ferrari, RBR, Renault e McLaren. O seguinte, nesta terça-feira, Haas, Force India, STR, Sauber e Williams.

A F1 vai estar de férias por três semanas, pois a 13ª etapa do mundial será apenas dia 26 de agosto, na Bélgica. Mas provavelmente nunca na sua história houve tantos telefonemas e reuniões para tratar da contratação de pilotos como deverá acontecer nos próximos dias. O mercado entrou em ebulição.

 

Mercedes

 

Aqui está fácil. Hamilton, 33 anos, renovou por dois anos, 2019 e 2020. Disse não ter assinado por três anos, como sempre faz, para entender como ficará a F1 a partir de 2021, quando existe ainda a expectativa de haver mudanças importantes, tanto do regulamento técnico como esportivo, apesar de Ross Brawn, diretor da FOM para definir como será o evento, já ter entendido que a revisão radical desejada pelo grupo americano Liberty Media, quem Brawn representa, será difícil.

As unidades motrizes, por exemplo, já sabemos, serão pouco revistas. E essa era a base da transformação desejada. Negociar com os europeus, Chase Carey e Sean Bratches, americanos do Liberty Media, é bem mais complexo do que pensavam. A palavra “mudança” gera profundo desconforto.

O outro piloto, ao menos em 2019, será Valtteri Bottas, finlandês, 28 anos. Ele assinou por dois anos, mas a opção de permanecer na Mercedes, em 2020, é de Toto Wolff, não do piloto. Na realidade, portanto, Bottas está garantido apenas em 2019. Wolff deseja ver como o mercado vai se movimentar, além de acompanhar de perto o trabalho de Bottas.

Hamilton pode deixar a F1 no fim de 2020, quando acaba o seu compromisso com a Mercedes. Vai estar com 35 anos, faria 36 dia 7 de janeiro de 2021, possivelmente terá mais títulos dos quatro que possui é já é bilionário. O inglês pode querer aproveitar ainda mais a vida. Gosta do jet set.

Wolff precisaria de um jovem de talento para amadurecer na Mercedes, em 2020, para realizar parte do trabalho de Hamilton em 2021. Será muito difícil para a Mercedes encontrar outro Hamilton. É por isso que a posição de Bottas, em 2020, dependerá do que fará no Mundial do ano que vem e de haver disponível um piloto com o perfil desejado por Wolff.

Hoje, Esteban Ocon, da Force India, francês, 21 anos, já sob contrato com a Mercedes, reúne as condições para evoluir na Mercedes em 2020. Mas o seu futuro pode ser outro. Em breve vamos falar dele.

 

Ferrari

 

O que primeiro deu para a apurar é que a escolha do companheiro de Sebastian Vettel, alemão, 30 anos, em 2019, tende a demorar. Quem mandava, de verdade, na escuderia italiana, não existe mais, seu eficaz presidente Sérgio Marchionne, falecido dia 25. Os novos líderes da empresa e do time, John Elkann e Louis Camilleri, provavelmente vão aguardar a evolução do campeonato antes de decidir.

Se a Ferrari chegar nos GPs do Brasil e de Abu Dhabi, os dois últimos do calendário, com chances efetivas de Vettel ser campeão, é um cenário. Se com o conjunto chassi-unidade motriz que dispõem ele e Kimi Raikkonen estiverem fora da luta pelo título, o quadro passa a ser outro. O modelo SF71H é o mais eficiente na F1.

O que é claro para todos é que há duas possibilidades: o segundo piloto da Ferrari no ano que vem será o mesmo Kimi Raikkonen de hoje, desde 2014 no grupo, ou o monegasco Charles Leclerc, 20 anos, piloto da Sauber, estreante na F1, cinco vezes nos pontos este ano, 13 no total, 15º colocado. Raikkonen, finlandês, completa 39 anos dia 17 de outubro.

Se Vettel estiver próximo de ser campeão, a tendência é a de ele ser ouvido, e de seu voto para a Ferrari renovar com Raikkonen prevalecer. Mas se o excepcional Lewis Hamilton e a eficiente Mercedes seguirem surpreendendo Vettel e a Ferrari, mesmo dispondo de um carro um pouco mais lento, a própria lógica sugere que Elkann e Camilleri façam algo, como por exemplo substituir Raikkonen por Leclerc. O contrato de Vettel termina no fim de 2020.

Essa é a expectiva de vários profissionais da F1 ouvidos pelo GloboEsporte.com. Como tudo na F1 é proibido, pilotos, diretores, engenheiros, técnicos e mecânicos não podem falar, oficialmente, com os jornalistas. Por essa razão não é possível reproduzir com aspas suas declarações. Elas devem ficar na narrativa de quem escreve.

 

RBR

 

Por qual razão Daniel Ricciardo, australiano, 28 anos, não assinou ainda a renovação do seu contrato? Simples de entender: ele não confia na Honda. Acredita que a equipe possa disputar outra temporada cheia de dificuldades, como foi a de 2015, quando a Renault produziu uma unidade motriz com alto índice de pane em vários dos seus componentes e de resposta de potência bem menor que Mercedes e Ferrari.

Ricciardo e o companheiro, o russo Daniil Kvyat, somaram somente 187 pontos. O time ficou em quarto, enquanto a Mercedes, campeã, 703. É tudo o que Ricciardo teme com a RBR associada à Honda nos próximos dois anos. Se em 2019 o modelo RB15-Honda, coordenado por Adrian Newey, não for competitivo, Ricciardo deseja estar disponível no mercado para ser contratado pela Mercedes em os 2020.

Ricciardo seria aquele piloto que Wolff deseja para quando Hamilton parar, talvez já no fim de 2020. Ricciardo não é um Hamilton, mas sugere ser mais piloto que Bottas com um carro vencedor nas mãos.

Christian Horner e Helmut Marko, os homens que decidem na RBR, não concordam com o pedido de um ano. Insistem que Ricciardo renove por dois anos. Não há questões financeiras, de direitos, por o outro piloto ser Max Verstappen, holandês, 20 anos, é apenas o tempo de contrato que emperrou o negócio.


Ricciardo teve convite da Renault e conversou com Ferrari e McLaren. Os italianos não levaram adiante. Plantaram na imprensa italiana que o motivo foi Ricciardo pedir muito dinheiro, 20 milhões de euros (R$ 95 milhões) por ano. Em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com, na Inglaterra, o australiano até se revoltou com a notícia.

- Não chegamos a falar em dinheiro - afirmou, incrédulo.

A verdade é que Vettel não o quer como companheiro na Ferrari, depois de perder por boa margem a disputa com ele na RBR, em 2014. Ricciardo somou 238 pontos, terceiro colocado, com três vitórias, e Vettel, 167, quinto, sem vencer.

Já Zak Brown, diretor executivo da McLaren, desejava saber de Ricciardo qual sua disponibilidade, planos, pois precisará de um grande piloto na hipótese de Fernando Alonso deixar a F1. Mas o australiano sabe que tanto a opção Renault quanto a McLaren implicariam renunciar à disputa por vitórias. Não há perspectiva de ambas, em 2019, entrarem na luta com Mercedes, Ferrari e, quem sabe, por causa da Honda, RBR, apesar de poucos acreditarem.

O mais provável é que Ricciardo, Horner e Marko entrem de alguma maneira em acordo.

 

Renault

 

Carlos Sainz Júnior, espanhol, 23 anos, é piloto da RBR, mas compete pela Renault desde o GP dos Estados Unidos do ano passado. Seu contrato estabelece que se até 30 de setembro a RBR não lhe oferecer um carro, não na STR, onde já correu de 2015 ao GP do Japão de 2017, mas na própria RBR, ele está livre para definir seu futuro.

O empresário de Sainz Júnior é Luis Garcia Abad, o mesmo de Alonso. Abad negocia com Zak Brown a transferência de Sainz Júnior para a vaga do belga Stoffel Vandoorne na McLaren. Há chances de o negócio sair. Mais detalhes no espaço da McLaren, a seguir.

Na Renault, Nico Hulkenberg assinou três anos, no fim de 2016. Portanto, até o fim de 2019 o alemão será piloto da escuderia francesa. Se Sainz Júnior não for para a McLaren ou mesmo ganhar a vaga de Ricciardo, se este sair, pode continuar na Renault.

Importante: no circuito de Hungaroring, Cyril Abiteboul, diretor da Renault, confirmou estar negociando também com Ocon. E Wolff respondeu que seu piloto pode, sim, competir por outra equipe, citando nominalmente a Renault, já que a Mercedes terá Hamilton e Bottas em 2019.

Apesar de não estar ainda preto no branco, a reação de Wolff de concordar com seu piloto defender outra montadora quase atesta o negócio. Ocon sofre com a série crise financeira da Force India, sob administração judicial. Em 2017, depois de 12 etapas, a escuderia indiana tinha 103 pontos, quarta colocada. Neste temporada é a sexta, com 59, quase a metade dos pontos.

Se fosse um jogo de apostas, a transferência de Ocon da Force India para a Renault, em 2019, para ser companheiro de Hulkenberg, seria a mais procurada pelos jogadores.

O avanço nas negociações de Sainz Júnior com a McLaren e de Ocon com a Renault dá a entender que o espanhol já deve saber que não correrá pela RBR em 2019. Em outras palavras, o acerto com Ricciardo estaria bem próximo. De novo: na F1 sempre há espaço para surpresas.

Abad está preocupado. Segundo o GloboEsporte.com apurou em Hungaroring, porque até o domingo o negócio com a McLaren não estava garantido enquanto a chegada de Ocon na Renault parecia irreversível. Não há nenhuma obrigação da Renault em manter Sainz Júnior. Se acharem que a opção Ocon é mais interessante, e de fato é, por ser um piloto aparentemente mais talentoso e francês, Abiteboul pode ficar com ele.

Imagine que esse seja mesmo o desfecho da história na Renault, Ocon e Hulkenberg em 2019. E na McLaren, Brown decidir apostar no piloto que ele é o empresário, o talentoso inglês Lando Norris, 18 anos, vice-líder da F2. O que aconteceria? Sainz Júnior ficaria sem equipe. Muito provavelmente teria de aceitar a vaga de companheiro de Pierre Gasly na STR-Honda, de onde saiu no fim do ano passado.

 

McLaren

 

Fernando Alonso tem até 31 de outubro para dizer a Brown o que deseja fazer na vida. Como há quem mais acredite que Alonso seguirá na F1 do que abandonará a competição para se dedicar a F Indy e o Mundial de Endurance (WEC), há uma chance de a McLaren ter dois pilotos espanhóis em 2019, com a chegada de Sainz Júnior. Por enquanto, apenas boas chances, nada mais.

Estamos falando no campo das possibilidades. O mencionado é algo real, não um rumor. Mas sempre na F1 as negociações podem esbarrar em algo intransponível.

Brown tem outro candidato à vaga de companheiro de Alonso, se o asturiano ficar, como citado: Norris, companheiro de Sérgio Sette Câmara na equipe Carlin da F2. Norris soma 159 pontos, uma vitória, diante de outra promessa inglesa, George Russell, 20 anos, da ART, como Norris estreante na competição, e líder, com 171 pontos, quatro vitórias. Vamos falar de Russell em seguida. É piloto da Mercedes e muito conceituado por Wolff, que tentará vê-lo na F1 já em 2019.

Nesse instante, início do período de férias da F1, as opções para a McLaren, no caso de Alonso renovar por mais um ano, o mais esperado, são Sainz Júnior e Norris, com outro correndo por fora.

Ele levou currículo para Brown, com um adendo: pode contribuir com 15 milhões de euros (R$ 70 milhões) e já disputou uma temporada pela equipe, a de 2013, o mexicano Sérgio Perez, 28 anos. Não deve permanecer na Force India. Mesmo na ativa como piloto, este ano entrou na justiça para cobrar do time um débito de 4 milhões de libras (R$ 20 milhões).

A McLaren terá um orçamento apertado no ano que vem. O sétimo lugar entre os construtores, este ano, até agora, faria com que a FOM depositasse ao longo de 2019 algo como 55 milhões de euros (R$ 260 milhões), cerca de um terço de um orçamento mínimo para pensar em crescer para se aproximar dos melhores, Mercedes, Ferrari e RBR, que investem o dobro, 300 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão) por ano.

A contribuição financeira de Perez pode ajudar muito sua candidatura. Com seu dinheiro, a McLaren paga, por exemplo, a Renault, valor cobrado pelo fornecimento da unidade motriz. Além disso, Perez é hoje um piloto bem mais completo que o de 2013, quando na McLaren foi companheiro de um campeão do mundo, Jenson Button. O carro era lento e desequilibrado. O mexicano terminou o ano em 11º, com 49 pontos. Button, nono, 73.

Veremos, ainda, que Perez conversa, também, com Haas e Williams.

Pergunta fundamental: e se Alonso disser estar cansado de andar atrás na F1 e os 36 milhões de euros (R$ 170 milhões) que ganha por ano na McLaren não o estimulam mais, pois sua conta bancária já é alta?

O cenário muda bastante. A essa altura, o empresário de Raikkonen, o inglês Steve Robertson, já deve ter conversado com Brown, para o caso de a Ferrari não renovar seu contrato. Essa é outra possibilidade real de negociação. Ricciardo despertou interesse da McLaren, mas como mencionado seu momento de piloto sugere querer algo mais concreto, poder lutar por pódios.

Se Ricciardo achar que na McLaren-Renault, com grupo técnico e esportivo renovado, com a possível chegada de James Key, ex-Toro Rosso, como diretor técnico, e Gil de Ferran, diretor esportivo, já na ativa, suas chances são maiores que na RBR-Honda, não está escrito que não possa aceitar a oferta. Como mencionado, apesar de Ricciardo ter dito ao GloboEsporte.com que o negócio com a RBR está por detalhes, até que não esteja assinado tudo é possível.

Há um problema de tempo nessa história. A RBR quer uma resposta já de Ricciardo, até para poder se mexer e levar Sainz Júnior para lá, por exemplo. Mas Alonso tem até o fim de outubro para responder a McLaren. A RBR não vai esperar e Ricciardo não correrá o risco, daí também a pressão para o australiano ficar onde está.

Se Alonso considerar que todas as alterações estruturais em curso na McLaren, algumas destinadas a vê-lo feliz, como a promoção de seu ex-engenheiro, o italiano Andrea Stella, para gerente de engenharia de pista, e a chegada de Gil de Ferran, não representam garantia de nada e for embora, a McLaren terá um problema.

Raikkonen está mais próximo de renovar com a Ferrari do que sair, assim como Ricciardo com a RBR. A McLaren não teria um piloto de comprovada capacidade na equipe, apenas promessas, por enquanto, como Sainz Júnior, Norris e Perez.

Nesta terça-feira, acompanhe o segundo capítulo da série sobre a movimentação no mercado de pilotos. O que está em curso na Haas, Force India, STR, Sauber e Williams. Obviamente tudo está interligado. Um peça que se mexe pode desencadear uma reação em cadeia, principalmente se for Ricciardo ou Alonso.

 

TODOS OS COMENTÁRIOS (0)



Login pelo facebook
Postar
 
Artesanato
Artes de Pernambuco
artesanato
Copyright © 2018 Palmaresfest - todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Rodrigo TI
Copyright © 2018 Palmaresfest - todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Rodrigo TI