Publicada em 11/01/2018 às 10h28.
Honda Fit, o xodó
O queridinho da marca quer entrar na briga com Argo e Polo pelo público que busca inovação, mas cobra caro pelo EXL: R$ 81 mil

Vrumm

 

Linhas dianteiras ficaram mais modernas e deram ar de esportividade ao visual do hatch - Bruno Vasconcelos / DPLinhas dianteiras ficaram mais modernas e deram ar de esportividade ao visual do hatch


O segmento dos hatches compactos foi um dos que mais sentiu os efeitos da crise econômica do país. Posicionados entre os modelos de entradas (Onix, Gol e HB20) e os médios (Golf, 308 e i30), os compactos precisaram se renovar para não caírem no esquecimento dos consumidores. Maiores exemplos dessa revolução do setor são o Polo, da Volks, e o Argo, da Fiat. Os dois hatches inauguraram um novo patamar de tecnologia a bordo e de segurança aos passageiros sem elevar o nível do preço do segmento.

Até mesmo o carro que é considerado um xodó nacional e que nunca havia sofrido com as variações econômicas precisou mudar para se manter no coração de seus fãs. O Honda Fit é um daqueles carros que, quem tem, não fala mal, recomenda e dificilmente o trocará por outro modelo. Algo parecido com o efeito do Toyota Corolla sobre seus clientes.


Traseira segue sóbria, sem muitas modificações - Bruno Vasconcelos / DPTraseira segue sóbria, sem muitas modificações


Mas o tempo exigiu que o Fit se modernizasse e perdesse um pouco do jeitão de monovolume familiar que tanto agradou o público feminino. O último facelift do Honda não trouxe nenhuma revolução, é verdade. Mas foi suficiente para que o modelo atingisse um novo público: o “jovem” na faixa dos 30 e poucos anos que quer saltar dos compactos de entrada, almeja um toque de esportividade, mas que não pode pagar por um hatch médio, como Golf ou Cruze Sport6. É o mesmo cliente que Fiat e Volks estão disputando aos “tapas” com o Argo e Polo.

Passamos cerca de uma semana com a versão topo de linha EXL e notamos que, na cidade, o Fit ainda faz alguns pescoços virarem. O novo conjunto ótico em full led com faróis mais finos que se juntam à grade frontal é o responsável por esses olhares. A traseira segue um tanto conservadora, com as lanternas gigantes no melhor estilo Volvo.

O interior do Fit mostra que ser xodó tem suas vantagens. Enquanto Fiat e Volks gastaram fortunas para dar à cabine de seus hatches ares de nave espacial, a Honda segue uma linha mais conservadora (mais barata), sem exageros, mas que não chega a ser espartana. Está tudo lá: central multimídia, computador de bordo e ar-condicionado digital. Só que nada de outro mundo. Fazem muita falta em um carro de mais de R$ 80 mil sensores de chuva e crepuscular. Os rivais têm. 

O desempenho do Fit não mudou. Segue com o acertado motor 1.5 de até 116 cv de potência muito bem casado com o câmbio CVT. Assim como suas linhas internas, o conjunto mecânico é eficiente, mas não empolga. Nem mesmo as alavancas do paddle shift para troca de marchas atrás do volante são capazes de dar esportividade ao modelo. Ponto positivo é o consumo, que na cidade ficou em 11,2 km/l e na estrada em 12,8 km/l, sempre com etanol. 
O Fit segue um bom carro e sempre terá seu público garantido. Não deverá sofrer perdas com as novidades da Fiat e da Volks, mas foi bom ter se mexido para mostrar que está atento às novidades do setor.
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